Abrem-se as cortinas. Luzes coloridas incidem sobre os bonecos que se movimentam no palco e provocam sons, acompanhados por uma musica ao fundo.

O cenário retrata uma sala composta por mesas, caixas de bonecas balões, diversos brinquedos e uma placa com a inscrição:


LAR ETERNO

Iniciam cantando:
CORO

TIM DOM, TIM DOM, TIM DOM, TIM DOM
ESTA É A CASA DOS BONECOS
TODOS VIVEMOS EM HARMONIA
TEMOS UM PAPAI QUE DE NÓS CUIDA
 QUALQUER HORA DO DIA .

PARAFUSO – Sou o Parafuso, um boneco confuso.
TROPERO – Eu sou o Tropero bravo e carrancudo.
PALITINHO – Sou a Palitinho um boneca miudinha.

SARDENTINHA – E eu sou a Sardentinha com a cara pintadinha.

CORO

FOFA – Eu sou a Fofona adivinhem o porquê.
TILICA – Sou a Tilica esperta no saber.
TAMPINHA – Sou a Tampinha, pequena e engraçadinha.
COMELONA – E eu sou a Comelona gosto de uma comidinha.

CORO

FUTRICA – Eu sou a Futrica a que tudo se estrumbica.
DESASTRADO – Sou o Desastrado, tudo estrago.
NANINHA – Sou a Naninha gosto mesmo é de nanar.
CHORINHO – Sou o Chorinho faço beicinho.
PERFUMOSA – Sou a Perfumosa charmosa no cheirar.
MOLE MOLE – Sou a Mole Mole ando sempre devagar.


CORO

Acabando a cantoria os bonecos se posicionam no palco.

COMELONA – Eu gostaria de comer algo diferente hoje.
FUTRICA – Mas nós temos de todo aqui, você pode comer o que quiser.
TROPERO – O que quiser não, porque o Papai desse que nós podemos comer de tudo, mas não podemos comer daquele fruto.
PARAFUSO – Eu nunca entendi direito porque não devemos comer daquele fruto.

(os outros bonecos riem)

DESTRAÍDO – Nem eu.
SARDENTINHA – Ora, é porque aquele fruto é o que leva a um conhecimento diferente.
FOFA e CHORINHO – Diferente? O que é diferente?
NANINHA – Deve ser não poder dormir.
MOLE MOLE – Ou então ter que andar depressa.
PALITINHO – É que aqui todos são felizes.
TILICA – Depois que comermos não deve ser assim.
TAMPINHA – É .De lá deve ter muito boneco gigante.
PERFUMADA – E onde vamos conseguir perfumes tão cheirosos como estes?

(Continua cheirando as flores)

SARDENTINHA - E um lugar tão bom e bonito para brincar? (Passeia rodando no palco)
COMELONA – Ah/ Mas eu estou com tanta vontade de comer algo diferente (fala olhando para o fruto e para os outros) Enquanto os outros continuam a brincar, ela caminha pé ante pé e pára perto da fruta pensando em voz alta:
COMELONA - É mas o Papai falou que não era para comer da fruta... Ah/ Mas o que é uma frutinha a mais? Uma a mais, uma a menos... (pega a ruta e come) Começa a se sentir estranha. Anda pelo palco e vê uma porta que até então não conhecia.
COMELONA – Que estranho. Eu nunca havia visto essa porta antes. Que engraçado. Hei turma, venham ver a porta. Venham, venham todos (todos se aproximam assustados e interrogativos)

- Porta? Que porta???

COMELONA – Esta, não estão vendo?
FUTRICA – (olhando para a fruta na mão da Comelona exclama)

Eu acho que alguém aqui andou comendo demais!

COMELONA – Eu sabia, era este o segredo. Por isto não podíamos comer do fruto. É esta a novidade: A Porta.
PARAFUSO – Mas eu não estou vendo a porta. Os outros exclamam:

Nem eu. Nem eu.

COMELONA – Comam do fruto e vocês verão. Comam.
CHORINHO – Mas o Papai não vai ficar contente.
COMELONA – Ele não vai saber. Vamos pegue...

(Chorinho aproximam-se timidamente e pega no fruto mordendo-o, vai passando para os outros e um a um come um pedaço)
A medida que vão comendo, aproximam-se da porta encabulados.

SARDENTINHA – Parece que os nossos olhos estavam tapados e agora podemos ver.
FOFA – Que engraçado, onde será que esta porta irá chegar?
MOLE MOLE – Em algum lugar, ora essa.
FOFA – Eu sei que é em algum lugar seu bobo, mas onde?
PERFUMADA – Seja lá onde for deve haver muito perfumes cheirosos para mim.
COMELONA – Se encontrarmos atrás dela muita comida,serei a primeira a saboreá-las, pois fui eu quem achou a porta.
DISTRAÍDO – (Começa a andar e a derrubar as coisas)
TAMPINHA – Espero que de lá não tenha gigantes.
FUTRICA – Nem vento forte porque senão a Palitinho vai voar.
TROPERO – Que confusão, calem a boca senão eu...
NANINHA – (Chorinho aproxima-se dela chorando) O que houve Chorinho??? O que aconteceu? (pergunta bocejando).
CHORINHO – É que nós nunca havíamos brigado antes. A Perfumosa não era vaidosa a Comelona não era gulosa, nem eu havia chorado.
DISTRAÍDO – (Esbarrando em algo e deixando cair). Nem eu era tão estabanado e o Tropero tão zangado). Entra o Papai assustado com toda aquela confusão e pergunta entristecido):
PAPAI – Não acredito. Quem de vocês comeu do fruto?

(Todos recuam e começam a olhar assustados uns para os outros)
Começam a discutir que um pegou o fruto na mão do outro e apontam como se a culpa fosse do outro até chegar na Comelona.

PAPAI – Parem com isto. (abaixa a cabeça e anda de um lado para o outro)

Este fruto era do conhecimento do bem e do mal, mas agora conhecem estão brigando. Antes vocês só conheciam o bem, mas agora conhecem também o mal. Por isso, não poderão ficar aqui mais, pois aqui só existe o bem, não há lugar para o mal. Vocês terão que ir embora e lá fora encontrarão dificuldades que nunca tiveram antes. Com o suor do rosto de vocês, com o próprio esforço, terão que trabalhar para comer dormir e viver. E ainda não terão a liberdade que tinham aqui, mas se sentirão presos ao mal. (Abaixa a cabeça e os bonecos saem um a um enfatizando sua característica).

PAPAI – Como poderei ser feliz vendo-os sofrer? Apesar de terem me desobedecido, tenho que pensar numa solução para ajuda-los a voltarem para cá. Mas eles sozinhos não conseguirão voltar , porque o mal os irá cegar os olhos e eles não encontrarão o caminho sozinhos.
Deixem-me ver... (pensativo) Já sei. Vou mandar meu filho para ajuda-los a voltarem . É isto mesmo. (Sai de sena gritando) Filho, Filho, tenho uma tarefa para você ...(desaparece). Fecha-se a cortina do fundo e vão surgindo os personagens bonecos demonstrando cansaço de tanto caminhar. Começam a se mover como bonecos demonstrando a prisão ao pecado.
FUTRICA - Viram o que nos aconteceu ? Tudo por causa de uma desobediência. Agora já estou cheia de calos nos pés. (Mostrando os pés, senta-se).
COMELONA – É isto mesmo, e até agora não encontramos nada para comer.
NAVINHA – Nem um lugar quentinho para dormimos.
TROPEIRO – Isto não é hora de reclamar. É hora de pensar em fazer alguma coisa (Tampinha, Mole Mole e Fofa passam pelo meio do público e ao se aproximarem do palco começam a olhar para algumas pessoas do público e gritam assustadas:
SARDENTINHA – Que tanto de coisa feia. Que medo.
FOFA – Nossa mãe, o que é isso???
MOLE MOLE – Credo, que bicho é esse ???

Sobem no palco exclamando: - Nossa vimos um monte de coisas horríveis no caminho
Dirigindo-se aos bonecos Mole Mole reclama:

MOLE MOLE – Também vocês não podiam nos esperar? Tinham que andar depressa desse jeito?
TAMPINHA – E com passos gigantes.
PARAFUSO – Ah . Papo furado nós andamos igual lesmas.
PALITINHO – (Entra correndo com um grande espelho na mão) Vejam turma olhem o que encontrei.
PERFUMADA – Grande coisa nós já conhecíamos espelhos.
PALITINHO – Não, mas este é diferente. Ele nos mostra certas coisas que os outros não mostravam. Olhem como eu sou magrinha. (despontada)
FUTRICA – Não Palitinho, você não é tão magra assim. Só que quando você está de frente parece que está de lado e quando está de lado parece que já foi embora. (Algumas riem, outros a consolam)
SARDENTINHA – Deixam-me olhar. É mesmo, eu nunca tinha percebido como sou pintada.
PARAFUSO – Ah. Mas não é tanto assim Sardentinha.
FUTRICA – Não, né não. Pimenta em prato de baiano perde pra ela.
FOFA – Ah. Vocês fazem muito drama. Deixem-me dar uma olhadinha. ( Ao olhar seu sorriso diminui e começa a ficar triste e assustada) Oh. Oh. Como sou gorda!!!
MOLE MOLE – Que é isso fofa não há nada de mal em ser um pouquinho mais gordinha.
DISTRAÍDO – Um pouquinho hein.
FUTRICA – (cantando) – Bujão de gás, bujão de gás, sua roupa não te agüenta mais
TROPERO – Deixem de chorinhos e de manhinhas, nós temos que pensar em fazer alguma coisa. (Anda um pouco e começa a pensar). Já sei. Vamos nos separar em grupos e tentar arrumar comida e abrigo. Quando o sol estiver daquele lado (mostra que lado com o dedo), nos encontraremos aqui novamente.

Saem em grupos de 4 e 6, formando no total 3 grupos.

I- Grupo - Comelona, Distraído, Sardentinha e Naninha.

II- Grupo - Chorinho, Parafuso, Mole Mole e Futrica.

III- Grupo - Tropero, Tampinha Palitinho, Perfumada, Fofa e Tilica.

Enquanto o palco está vazio, entra uma criança, senta no chão e começa a cortar lenha.
Entra no palco o terceiro grupo. Trazem coros de animais, vasilhas e outros instrumentos de trabalho.
Ao entrar encontram a criança.

TAMPINHA – Olha, uma criança. (esconde-se, com medo, atrás de alguém.)
COMELONA – (aproximando-se pergunta)-Quem é você? ( Depois de um tempo a criança não responde) Criança???
CRIANÇA – Sim. Criança.
PALITINHO – Puxa. Você é diferente, nós um dia fomos assim, como você.
CRIANÇA – É? E porque vocês deixaram de ser?

(Eles se entreolham sem graça)

PERFUMADA – Nós desobedecemos o nosso Papai. Mas a culpa foi toda da Comelona.

Criança – Mas não foi só ela quem desobedeceu. Ou foi?

FOFA – Não. Não foi. Todos nós comemos daquele fruto. E por isso estamos aqui sozinhos, presos e cansados de tanto trabalhar. (Começa a reconhecer o seu pecado)
CRIANÇA – E vocês têm feito alguma coisa para voltar a serem o que eram antes?
TAMPINHA – Em todos os lugares que passamos eu procurei a porta para voltar e pedir perdão para o Papai. Mas não adiantou, eu não encontrei e acho que não vamos encontrar nunca. Nunca vamos voltar a ser como éramos antes. (fala triste e desanimada)
CRIANÇA – O nosso Pai...
PALITINHO – Nosso Pai???
CRIANÇA – Sim, nosso. Ele é meu Pai também e eu não sou assim como vocês por que não desobedeci.
O nosso Pai é bom e não fica feliz em ver seus filhos sofrendo. Por isto Ele me mandou vir aqui busca-los.
FOFA – Mas nós não podemos voltar para lá , pois já estamos mudados. Além da desobediência estamos presos. Olhe para mim, sou gorda , feia quem vai querer uma boneca como eu no Lar Eterno?
CRIANÇA – Mas isto acontece porque vocês não fizeram a vontade do Papai. Mas para Ele todos vocês são iguais, não existe mais feio ou mais bonito, mais gordo ou mais magro, mais baixo ou mais alto. Porque ele vê além do que nós vemos. Ele vê o que está no coração.
PERFUMOSA – O que está no coração???
CRIANÇA – É. Porque é no coração que as pessoas guardam o amor, o ódio, a alegria e a tristeza, o bem e o mal.
TAMPINHA – Mas eu tenho medo.
CRIANÇA – Não precisa ter medo, eu vim para conduzi-los até lá. Indo comigo não terão razão para ter medo. Porque eu vou iluminar o caminho de vocês.
TILICA – Mas enquanto trabalhávamos encontramos outra criança que nos disse conhecer o caminho certo.
CRIANÇA – Eu sou o filho que o Pai enviou para salva-los e ninguém conhece o caminho a não ser eu.

(Vai se levantando e saindo)

TILICA – Onde você vai?
CRIANÇA – Eu vou estar por aqui até que vocês resolvam se querem ou não ir comigo.
PERFUMOSA – E os outros bonecos?
CRIANÇAS – Contem-lhes tudo o que eu falei pra vocês e os deixem escolher também.

- A criança sai do palco enquanto os outros grupos entram. Chegam cansados, resmungando e com alguns instrumentos de trabalho.

DISTRAÍDO – Hei. O que aconteceu por aqui?
TAMPINHA – É uma longa história (Diz pensativa)
TILICA – Nós encontramos o caminho de volta para junto do nosso Pai.
TROPERO – Caminho? Que caminho???

Neste momento Perfumosa conta-lhes o que aconteceu cantando esta música:

Vejo as flores, as árvores, a magia
Tudo de lindo que aqui existe
E quando penso que partirei um dia
Não posso deixar de me sentir triste.
Mas o Pai com sua bondade e amor
Transforma tudo isso em mais vida e cor
Lá tudo será especial
Será o nosso lar celestial.
Não haverá choro, rancor ou covardia
Reinará a Paz, o Amor e a Alegria
Todos unidos cantarão de uma só vez
Viva o Rei e tudo que Ele fez.
MOLE MOLE – Ah. Deixem de conversa fiada.

(Depois de pensar um pouco) – Eu prefiro ficar aqui mesmo, tenho muito medo de que o Papai não queira saber mais da gente.

NANINHA – Ainda mais que deve ser uma caminhada boa daqui até lá. E eu estou tão cansada.
DISTRAÍDO – Ah. Qualquer um que aparece vocês logo vão dizendo que é o caminho verdadeiro.

(Parafuso e chorinho concordam com eles)

TODOS QUE FICAM – É isso mesmo, vamos cuidar da nossa vida. Vamos.

(A criança volta ao palco)

CRIANÇA – Onde estão os outros?
TILICA – É livre a escolha. Sigam-me e serão libertos do mal.
Começa uma luz estroboscopio lenta, musica e eles começam a saltar as linhas que os prendem (pernas, braços, etc) Movem-se lentamente e vão se afastando indo para o fundo do palco. Fecham-se as cortinas.

DIM DOM
 
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